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Espectro de Pensamentos

Eis que toda poesia, no universo já foi escrita. Cabe à nós, sensíveis mortais, descobri-las por ai e propagá-las com esplendor. Pensamentos, sentimentos e todas as inspirações que aos poetas embriaga, pela minha mente passam e decompõem-se em infindáveis linhas líricas que denotam as cores do universo. Como um prisma que a luz difunde, difundo os pensamentos que a todos parece ser uma complexidade só. Adorada poesia minha, nada mais que um espectro de pensamentos.

À AMANTE, AMIZADE


O que faz meu sangue correr
Nessas veias cansadas e moles
Da surra que a tal da rotina bateu,
É somente o calor estrondoso
Feito de sentimentos
Aguçados em todos os sentidos
Do corpo humano.
Este, que é tão… Mas Tão agraciado
Pela união de galáxias chamada amizade…
Ê! Mas ei,
Como vou agradecer suficientemente
Todas as vezes que me segurastes
Quando caía em prantos, e dores
E sofrimentos,
Que muitas vezes nem ao menos
Tinha dito verbalmente.
Mas sabe, a minha graciosíssima amante
Sabe ler meus olhos!
Assim sendo, leia-os então.
Pois é teu,
Todo teu,
Indiscutivelmente teu
O brilho magnífico que radia
Hora e outra
Destes olhos que tantas vezes
Quase não aguentou mais.

Por Matthews Germanotta

À AMANTE: LÁGRIMAS

Lágrimas minhas,
Partes de meu choro,
Ao lado da aflição e do amargo na garganta…
O que seria de nós dois sem a dor?
Ora, não existiríamos…
Nem ao menos, sobreviveríamos
– o que é tudo que tenho feito ultimamente.
Lágrimas amadas, que presenciam
de hora em hora
somente na hora
de aparecer.
E lavar nada, além de tudo
Tudo aquilo que arranha as paredes de meu peito vazio
Tudo aquilo que rasga os tecidos do meu cérebro
Tudo aquilo que me faz doer.
Lava também, esse rosto sujo de sorrisos
Sorrisos que eu realmente não quis sorrir
Mas por conveniência, sorri.
Vem cá, lágrimas,
Não cansastes de cair dos meus olhos?
Porque por mais que eu as ame
Ou, pelo menos, o alívio que trazes…
Eu, de fato,
Cansei!


Por Matthews Germanotta

Ao amante: travesseiro

 Tentei de todas as formas, com todas as minhas forças, que tudo desse nada além de certo. E certo deu! De certo, o certo é resultado do suor que tanto misturou-se com minhas lágrimas dolorosas que já nem sei mais da onde saem.
 E depois de tanto tentar arduamente, o descanso finalmente merecer, descanso. E no descanso, enquanto tento regozijar o valor inestimável da semana finalmente vencida, entristeço. Com toda sinceridade mortífera de um poeta, dramatizo, caio, desmaio… quase não quero sair da cama de manhã. Não tenho desejo de desgrudar a cabeça do travesseiro.
 Estou cansado e multi-complexadamente estressado. Mas nenhum abraço chega a me acalentar. Assim como já aconteceu antes, o deslumbre que a grandiosidade daquilo que crio faz as pessoas acreditarem, piamente, que minha força compara-se àquilo que construo.
 Enganados, afastam-se. E enganados ou não, não percebem que continuo aqui, sem forças nenhuma, afinal, foi com elas que cheguei aqui, e lá no passado ficaram. Gastaram. Esgotaram. Não sei mais. Só sei que preciso de mais, pra poder, ao menos, respirar tranquilo.
 Mas só assim, sem ninguém perceber, que eu continuo. Já estou fadado à isto aceitar. Não importa realmente o esforço desmesurado que aplico à tudo aquilo que molduro para se tornar perfeito. Afastaram-se de mim, por simples engano: que não necessito encarecidamente de carinho. Piedosamente, abraço meu travesseiro, e ali mesmo, continuo. Ele é o único que está lá todas as noites.

Escrito exaustivamente por Matthews Germanotta

PEITO CANSADO

 
 Chegou o dia que achei que não existia. Na verdade, nem desconfiava que poderia haver tal tempo em vida. Mas chegou, de forma repentina e aterrorizante. Afinal, estava amando com todas minhas forças, e de repente, estava nada além de esgotado.
 E esgotado, minha carne amoleceu. Meus ombros caíram. Meus olhos baixaram. Meu fôlego… acalentou-se. Como se o coma dominasse-me, mas sem realmente desligar-me da energia vital que mantém-me de pé.
 Pode ter sido de tanto ceder, de tanto doar tudo aquilo que conseguia arranjar nos meses secos em que nenhum sentimento destruía minha vida. Sei lá. Doei-me inteira e intrinsecamente incontáveis vezes, sempre acreditando verdadeiramente que o amor não era o tipo de coisa que poderia simplesmente te fazer mal algum.
 Mas bem, não sei se “mal” é o perfeito adjetivo que caracteriza tal situação. Quase nem consigo convencer-me a abrir os olhos de manhã, ou não pregá-los para sempre a todos os segundos do dia, mas ainda sim… é uma inexistência sentimental. Uma inaptidão sensitiva. É um esperar pela estrela cadente, em um céu nublado de uma tarde fria.
 Conto, no entanto, com tudo aquilo que já me ocorreu. E releio minhas cartas amargas dos tempos em que meu coração – que agora bate mole e forçado – partiu-se em um milhão de pedaços. E essas palavras angustiadas consolam-me, assim. Afinal, tudo caiu em dor profunda por meses, subiu para alegrias incessantes por outros tempos, e então, o horizonte aquietou-se por um outro período.
 Saber que a vida é assim mesmo, cheia de fases e incertezas, é o que faz o ar ainda oxigenar meus pulmões. Esperar no amanhã. E se não der, no depois do depois do amanhã do mês que virá, e a nova aurora trará.
 Tudo há de melhorar, e piorar. Desta certeza tomo-me totalmente. Mas não posso sorrir plenamente ao perguntarem para onde meus olhos estão olhando quando estão caídos e opacos. Eles não olham pra lugar nenhum, pois lugar nenhum é o único lugar confortável que eu tenho agora. Meu peito está – surpreendentemente – não destruído, não endiabradamente feliz, mas sim… cansado.

 Escrito por Matthews Germanotta.

CEGUEIRA

O homem cego que no ônibus adentrou,
Nada enxergava além de sua imaginação.
Pra ele, o céu era roxo,
As nuvens, rosas.
As calçadas… todas preenchidas
Por orquídeas fluorescentes.
E ai de quem dele discordasse!
Ninguém poderia o convencer
Que a cor de seu amor era clara ou escura,
E não – como via –, azul-anil.
Acreditam e acreditam
Que ele está errado.
Mesmo jamais podendo provar
A essência dessa afirmação.
Afinal, no mundo,
Quem enxergava melhor,
Hein?

Por Matthews Germanotta

ESTRELAS CADENTES

Se teus olhares baixos, caídos,
Nunca do chão desgrudam,
Como contemplarás a grandiosidade
Do desejo concedido
Por uma estrela cadente?
Porém, não procure incessantemente
Nada, além do amor.
As estrelas que cortam os céus,
E que aos sonhadores proporcionam
A esperança tão esperadamente revitalizadora,
Aparecem quando?
Senão no momento certo
Para o contrito coração
Acalmar?
Seja então, sereno.
A calma que de ti brota,
Um dia se expandirá.
Continue forte e acredite naquela força
Que reside nas mentes daqueles que não desistem.
Estrelas cadentes podem cair em qualquer lugar.

Por Matthews Germanotta

À AMANTE: ROTINA

Você pode ver em seus olhos
A exaustão incomensurável que reside
Nos cílios caídos,
Cansados,
Quase tão implorantes quanto o coração
Que ali no peito, bate fraquinho,
Quase sem força,
Só por bater mesmo…
E seus ombros, caídos,
Ah… Como não enxergar o peso invisível?
A sua única amante é a sua odiada,
E ainda digo “amante”, pois é a única que está ali com ele
Todos os dias.
Essa “amante” chama-se Rotina.
E como os amantes,
Ela o pôs de joelhos e ali está,
Esperando pela salvação do final de semana.
E em sua mente, mesmo negra perante a tempestade
Que nem por um segundo o lhe deixa respirar,
Pensa, em nada, a não ser: Assim para sempre permanecerá?
E em seu peito, que mal consegue aguentar mais coisa alguma,
Ele sabe…
Assim sempre será.
(Até que o coração se canse de bater)

Por Matthews Germanotta

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