Ao amante: travesseiro
Tentei de todas as formas, com todas as minhas forças, que tudo desse nada além de certo. E certo deu! De certo, o certo é resultado do suor que tanto misturou-se com minhas lágrimas dolorosas que já nem sei mais da onde saem.
E depois de tanto tentar arduamente, o descanso finalmente merecer, descanso. E no descanso, enquanto tento regozijar o valor inestimável da semana finalmente vencida, entristeço. Com toda sinceridade mortífera de um poeta, dramatizo, caio, desmaio… quase não quero sair da cama de manhã. Não tenho desejo de desgrudar a cabeça do travesseiro.
Estou cansado e multi-complexadamente estressado. Mas nenhum abraço chega a me acalentar. Assim como já aconteceu antes, o deslumbre que a grandiosidade daquilo que crio faz as pessoas acreditarem, piamente, que minha força compara-se àquilo que construo.
Enganados, afastam-se. E enganados ou não, não percebem que continuo aqui, sem forças nenhuma, afinal, foi com elas que cheguei aqui, e lá no passado ficaram. Gastaram. Esgotaram. Não sei mais. Só sei que preciso de mais, pra poder, ao menos, respirar tranquilo.
Mas só assim, sem ninguém perceber, que eu continuo. Já estou fadado à isto aceitar. Não importa realmente o esforço desmesurado que aplico à tudo aquilo que molduro para se tornar perfeito. Afastaram-se de mim, por simples engano: que não necessito encarecidamente de carinho. Piedosamente, abraço meu travesseiro, e ali mesmo, continuo. Ele é o único que está lá todas as noites.
Escrito exaustivamente por Matthews Germanotta